Flavio Cruz

Os “Meninos da Casa Branca”

 
Poderia ser um bonito programa para garotos interessados no funcionamento do poder e da política da grande nação. Poderia ser um conjunto de meninos, filhos de políticos, reunindo-se neste histórico prédio, símbolo do poder, aprendendo, desde crianças, os meandros da Democracia. Poderia ser tanta coisa bonita, mas não é.
Este lugar é um lugar muito pequeno mas é parte de um conjunto maior. Está localizado na Flórida a algumas horas de viagem da linda terra do Mickey e do Pato Donald.  Não está, portanto, muito longe da fantasia e da mágica. Está muito perto da capital da Flórida, Tallahassee, numa cidade chamada Marianna. Está perto do poder.
O conjunto maior, de que falei acima, é o Arthur G. Dozier School for Boys, um reformatório juvenil masculino em que seres humanos de 13 a 21 anos ficavam presos. O objetivo era recuperá-los e colocá-los, sadios, de volta na sociedade. É sempre assim. O conjunto menor, muito menor, era uma pequena casa, chamada “Casa Branca”.  Não sei se ultimamente ouvi falar de ironia maior do que essa. Esse lugar era para onde iam os garotos e rapazes que não se comportavam” adequadamente”. E sendo, Flórida, e sendo “Sul dos EUA”, havia, como no prédio principal, a parte dos brancos e a parte dos negros. É preciso segregar também o terror.
Nos anos 50 e 60, houve, nesta casa, tortura, violência física e sexual, moral e corporal. É difícil dizer se os jovens brancos eram torturados diferentemente dos jovens negros, mas certamente as duas cores devem ter sofrido muito. Dizem que muitas crianças morreram em consequência, e estão enterradas na propriedade que, finalmente, foi fechada em 2011. Recentemente, uma comissão pediu ao governador da Flórida autorização para exumação dos corpos que estão nos cemitérios da propriedade. Queriam confirmar as mortes por tortura. O governador negou. Por quê? Não sabemos.

Foi um circo de horrores. A Instituição “sobreviveu” de 1900 a 2011. Dos rapazes que estavam lá, porém, muitos não sobreviveram. Existe uma ironia nesses anos 60. Tanta coisa boa aconteceu, tanto sonho de liberdade, de liberação e, por outro lado, houve tortura em tantos lugares. No nosso país, nos países do sul da América e no sul dos Estados Unidos. Será que há alguma coisa errada com o Sul? Eu não sei.
Na Disney World o dia está lindo. As crianças estão felizes e sorrindo. O Mickey e os outros personagens dão abraços gostosos nas crianças. Crianças felizes, que nunca, graças a Deus, vão ter de viver na Casa Branca. Pelo menos nessa do Sul do país.

 

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Veröffentlicht auf e-Stories.org am 16.04.2015.

 

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